Tecnologia Educacional



Tecnologia educacional

A expressão "Tecnologia na Educação" abrange a informática, mas não se restringe a ela. Inclui também o uso da televisão, vídeo, rádio e até mesmo cinema na promoção da educação. O termo "tecnologia", aqui, refere-se a tudo aquilo que o ser humano inventou, tanto em termos de artefatos, como de métodos e técnicas, para estender a sua capacidade física, sensorial, motora ou mental, assim facilitando e simplificando o seu trabalho, enriquecendo suas relações interpessoais, ou simplesmente lhe dando prazer.

Eduardo Chaves
http://edutec.net/


Entende-se tecnologia como sendo resultante da fusão entre ciência e técnica. A função primordial da ciência consiste em "facilitar" a conduta humana. A da educação, também. Logo, o conceito de tecnologia educacional pode ser enunciado como o conjunto de procedimentos (técnicas) que visam “facilitar” os processos de ensino e aprendizagem com a utilização de meios (instrumentais, simbólicos ou organizadores) e suas consequentes transformações culturais.

O uso de tecnologia em educação não é recente. A educação sistematizada desde o início utiliza diversas tecnologias educacionais, de acordo com cada época histórica. A tecnologia do giz e da lousa, por exemplo, é utilizada até hoje pela maioria das escolas. Da mesma forma, a tecnologia do livro didático ainda persiste em plena era da informação e do conhecimento. Na verdade, um dos grandes desafios do mundo contemporâneo consiste em adaptar a educação à tecnologia moderna e aos atuais meios eletrônicos de comunicação.

O emprego de meios e recursos modernos, por si sós, não garantem bons resultados educacionais. Porém, é possível preverem-se as dificuldades de um processo de ensino e aprendizagem que não leve em consideração o uso dos principais produtos tecnológicos de seu tempo, tendo em vista o sentido transformador que ciência e técnica imprimem na sociedade.

Nos anos 50 e 60 do século passado, a tecnologia educacional era vista como sinônimo de recursos didáticos. A partir da década de 60, o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa passou a revolucionar o mundo em todos os setores, principalmente no campo da educação. Até então, havia primazia dos meios sobre os processos de ensino e aprendizagem, mas a revolução eletrônica acabou gerando uma revisão profunda dos conceitos de comunicação que prevaleciam nessa época.

Pouco mais tarde, com o aparecimento dos computadores pessoais, o chamado "ensino individualizado" começou a ser amplamente favorecido com base em modelos comportamentalistas de ensino e aprendizagem que assumiram os conceitos do "ensino programado" e das "máquinas de ensinar". Mas apesar da utilização de modernos recursos, ainda havia certa primazia dos meios sobre os processos de ensino e aprendizagem.

Mais recentemente, sobretudo devido à enorme interferência dos meios de comunicação nas formas de pensamento e construção de conhecimentos na sociedade contemporânea, as modalidades de educação mediatizada vêm se mostrando cada dia mais eficaz e urgente, sobretudo no mundo do trabalho. Em questões de ensino e aprendizagem, essa tecnologia posta à disposição das pessoas vem cumprindo a meta de desenvolver possibilidades individuais, tanto cognitivas como afetivas, sociais e estéticas.

Muitos afirmam que as máquinas trouxeram uma revolução nos processos de ensino e aprendizagem. Porém, um quadro negro eletrônico continua sendo um quadro negro. Comparando-se uma aula do século XIX com uma de hoje, por exemplo, nota-se que as idéias continuam sendo as mesmas. Ainda hoje nas escolas cobra-se memorização, quando se faz cada dia mais premente ensinar o aluno a pensar e desenvolver capacidade crítica para discernir, raciocinar, criar e resolver problemas muitas vezes por si próprio, sem ajuda de ninguém.

A revolução, então, diz respeito não às máquinas, mas ao campo das idéias. As máquinas, obviamente, existem para facilitar a vida de todo mundo e por isso mesmo precisam ser utilizadas. Porém, em educação, há ainda professores e alunos utilizando máquinas modernas, mas mantendo idéias antigas. A história a seguir ilustra bem a necessidade e os benefícios de se adaptarem idéias regularmente.



O Sítio do Pica-Pau Amarelo

Desde sua publicação em 1920, “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato, vem encantando gerações de crianças e também de adultos. Graças às tecnologias atuais, principalmente num país em que o hábito de leitura não é muito arraigado, conhecer a obra de Monteiro Lobato deixou de ser privilégio de poucos.

O "Sítio" foi escrito abordando tecnologias, usos e costumes da primeira metade do século passado. Porém, ainda hoje é considerado "atual", assim como o foi em cada uma das sucessivas épocas desde a sua publicação. Essa constante "atualização" deve-se aos processos de interpretação que automaticamente geram as devidas adaptações a cada tempo e contexto.

Até hoje foram produzidas para a TV diversas versões desta mesma estória, sendo cada qual enriquecida com novas informações, de acordo com a época de apresentação. Em 1920, por exemplo, não existia sequer eletricidade no “Sítio”, mas na versão atual Dona Benta anda até procurando receitas de bolo na internet e falando ao telefone celular. E “O Sítio” continua sendo “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

Cada mídia tem sua linguagem própria. No caso da obra de Monteiro Lobato, em ambas as linguagens (livro e vídeo), encontram-se presentes a emoção, o conhecimento e a expressão. Isto ocorre porque o instrumento de trabalho do escritor é sempre a palavra: a mesma palavra que nos diferentes meios de comunicação é trabalhada em consonância com outros recursos.

Na TV, por exemplo, a “palavra” é trabalhada em consonância com cenários, interpretações, entre outros elementos. Num ambiente virtual, a “palavra” pode se apoiar em layouts, formatações, ilustrações e muitos outros recursos complementares. E mesmo na mídia impressa, a “palavra” é interpretada de acordo com o momento atual que o leitor vivencia, ou seja, a ficção é sempre entendida a partir de um universo real já conhecido. Daí "O Sítio" permanecer atual sempre.